Bots quebram paradigmas na interação entre empresas e clientes

A forma como as pessoas se relacionam com as máquinas, em especial seus smatphones, está prestes a mudar completamente.

Os bots existem desde 1966, quando um grupo de pesquisadores do MIT, nos Estados Unidos, criou o primeiro software de simulação de diálogos. Mas agora, 50 anos depois, esses robôs podem revolucionar o mercado tecnológico e até balançar o mundo dos aplicativos.

Nos últimos cinco anos, as empresas que trabalham com inteligência artificial aumentaram em sete vezes seus investimentos. Em 2015, este mercado movimentou mais de US$ 310 milhões e tem sido a principal aposta de grandes empresas como Google, Yahoo, Facebook, Microsoft e Amazon.

O Facebook, por exemplo, apresentou, na última semana, a nova versão do aplicativo Messenger, que une o sistema de bate-papo com a possibilidade de realizar compras, de adquirir informações e novos conteúdos ou de realizar outros tipos de serviços. Tudo isso de maneira totalmente personalizada, já que esses sistemas conseguem aprender sozinhos e podem prever comportamentos e hábitos de consumo. Pode ser o fim, por exemplo, dos call centers e dos diálogos automatizados por controle de voz.

A professora de Comunicação Digital da USP, Daniele Rodrigues, acredita que os bots serão uma forma mais fácil e ágil de resolver pequenos problemas do dia-a-dia.

‘Os bots são uma evolução natural do mercado para atender esse público sedento, que também quer participar, que também quer fazer o consumo digital mas não tem tanto domínio assim. Além da agilidade, né. Hoje a gente precisa ter o acesso à informação de forma muito rápida’, explica.

Hoje, os bots e principalmente os chatbots ainda são vistos como pitorescos ou como simples formas de entretenimento. Ainda de acordo com a especialista, a demanda pelos serviços de bots já existe, mas é papel das marcas não torná-los inconvenientes ao usuário.

O lançamento dos bots também deve influenciar diretamente o mercado de aplicativos, que espera gerar US$ 50 bilhões em 2016.

Antônio Carlos Soares é cofundador de um aplicativo que ajuda empresas e pessoas a gerenciarem seus negócios. Atualmente, o software gera relatórios de produtividade e monitora o trabalho de funcionários. Mas daqui a pouco, com ajuda dos bots, o aplicativo vai poder enviar mensagens personalizadas com dicas ou alertas específicas para cada empreendedor.

Para ele, os aplicativos e bots não vão apenas coexistir, eles serão aliados.

Para as empresas, desenvolver esses robôs também está cada vez mais fácil. Tanto a Microsoft quanto o próprio Facebook já lançaram plataformas para simplificar a criação.

É preciso apenas inserir as conversas padrões que costumam acontecer entre seus clientes e o próprio programa já se adapta às mudanças e codifica novas conversas a partir das demandas que vão surgindo.

O diretor de inovação da Microsoft Brasil, Richard Chaves, acredita que essas ferramentas vão democratizar a criação de bots no mercado. É uma chance de se aproximar dos consumidores e de tornar essa relação menos burocrática.

O professor de Negócios Eletrônicos FGV Luiz Antonio Joia faz um alerta para a quantidade de informações pessoais que esses softwares são capazes de armazenar e, principalmente, para a forma como as empresas vão utilizá-las para gerar ainda mais lucros.

Outras empresas de aplicativos bate-pato, como Telegram e Kik também lançaram plataformas de chatbots este ano. A nova versão do Facebook Mensseger ainda está disponível em fase teste para um pequeno grupo de usuários e de marcas, mas em pouco tempo, deverá levar os bots ao alcance de 900 milhões de pessoas.

Fonte:cbn.globoradio.globo.com